Chambord

​Automóvel básico da linha SIMCA, a primeira unidade deixou a linha de produção em março de 1959. Foram produzidos 42.910 Chambord, cujo fim foi decretado no Salão do Automóvel de novembro de 1966 onde a fábrica aposentou o seu sucessor, o Esplanada.

 

Derivado do Simca Vedette francês, o Simca Chambord era um veículo de luxo para seis passageiros, três no banco inteiriço dianteiro e três no banco traseiro. Também três eram as marchas à frente, sendo a alavanca junto à coluna de direção.

 

Nos primeiros modelos, o motor de 8 cilindros em V desenvolvia 84 cavalos de potência efetiva. Na última geração do Chambord o motor chegou a desenvolver 140 HP, sendo que no teste feito pela Revista Quatro Rodas em agosto de 1966 o carro chegou a 160,793 km/h de velocidade final, a maior alcançada até então por um carro de turismo de série. No mesmo teste a revista apurou que o último Chambord acelerava de 0 a 100 km/h em apenas 14,3 segundos.

 

Primeiramente o Chambord nacional apresentava a maior parte dos seus componentes importados da França. Os veículos eram montados no Brasil e traziam apenas alguns componentes de menor importância que eram fabricados por fornecedores de outras montadoras já instaladas no país.

 

Mas já no início de 1960 o índice de nacionalização estava em 67,65%, atingindo 96% em dezembro do mesmo ano. Em outubro de 1961, o Chambord trazia 98% do seu peso, partes e componentes fabricados no Brasil e em julho de 1963 o índice de nacionalização superou os 99,00%.

 

Eram vários os acessórios que o Chambord trazia de fábrica: trava antifurto, luzes no motor, porta-malas e porta-luvas, luzes de estacionamento com acionamento em separado para os lados esquerdo e direito, faróis de neblina, sinaleiro com retorno automático, esguichador de água no para-brisa, luzes internas à frente (próximo ao retrovisor) e atrás (no encosto do banco dianteiro, para os passageiros de trás), acendedores de cigarros e cinzeiros tanto para os passageiros do banco dianteiro como para os do banco traseiro, além de redes e bolsas para guardar objetos, revistas ou mapas.

 

O pára-sol do passageiro trazia um espelho em sua parte interna. O motorista tinha a opção de se utilizar separadamente de uma ou das duas buzinas, uma era destinada só para a cidade ao passo que as duas em conjunto visavam o trânsito nas estradas.

 

Além dos controles normais para a época, o painel de instrumentos trazia luzes de advertência da reserva de gasolina, bem como odômetro parcial e relógio.

 

A linha Tufão incluiu o pára-sol liliputiano entre os dois normais, acima do espelho retrovisor, o qual passou a possuir posição anti-ofuscante. Trouxe também local específico no painel para maços de cigarros e carenagem para a saída de ar do interior do veículo.

 

Ao longo dos anos a fábrica brasileira implementou vários melhoramentos em relação ao modelo original, apresentados a seguir:

 

1959

O modelo era basicamente copia do Simca Vedette francês, com o motor desenvolvendo 84 HP de potência.

 

1960

Concorrido evento realizado na fábrica marcou o lançamento da nova linha. Veja as fotos inéditas (Item 2 no menu de fotos).

 

1961 – 2ª série

Segundo propagando da fábrica, o motor passou a desenvolver 90 HP e a proporcionar aumento no torque de 15% nas baixas e médias velocidades. As câmaras de combustão foram redesenhadas, sendo que “... as modificações introduzidas no sistema de circulação de gases resultam em melhor admissão, melhor escapamento e menos aquecimento, garantindo lubrificação mais perfeita das partes vitais do motor”.

 

A suspensão dianteira foi recalibrada, ao passo que o sistema elétrico sofreu aperfeiçoamentos. Foi introduzida nova redução de engrenagens do diferencial, que passou de 10:39 para 10:43 de forma a obter “melhor desempenho nos aclives fortes, mesmo com o carro lotado”.

 

Com novas cores e molas mais macias e flexíveis, os bancos trouxeram novos desenhos com estofamentos em gomos. O assoalho tinha “forração integral com tapetes de pura lã”. No porta-malas veio novo tapete plástico, “lavável e resistente à água do mar”.

 

Novas cores e frisos acentuaram as diferenças externamente.

 

1962/2ª série, 1963 e 1964/1ª série – modelo 3 Andorinhas

Apresentou melhoramentos que assim foram noticiados pela Revista Simca de janeiro/fevereiro/março de 1962:

 

“- anéis de segmento cromeados o que resulta em menor desgaste e melhor compressão;

 

- potência efetiva de 92 HP;

 

- radiador redesenhado com maior número de colméias;

 

- aprimoramento da bomba d’água que passou a ter mais empuxo para melhorar a circulação da água nas partes vitais do motor;

 

- embreagem dotada de ventilação forçada e limpeza automática, apresentando melhor aderência, menos atrito e menos desgaste;

 

- novo tratamento térmico para as molas helicoidais dianteiras e para as molas traseiras, assegurando maior resistência aos impactos sem prejuízo da sua flexibilidade;

 

- o painel de instrumentos passou a ser recoberto com plástico fosco especial, que absorve a luz e evita reflexos desagradáveis à vista;

 

- estofamento redesenhado tipo pull-man, com vivos menos salientes e gomos mais suaves para maior comodidade dos passageiros, revestidos de plástico aveludado;

 

- tapetes internos de vinil;

 

- novo friso paralelo com incrustação de 3 andorinhas em plástico nobre;

 

- 12 cores modernas: rosa, azul escuro, verde escuro, verde claro, cinza escuro, cinza claro, turqueza, mostarda, lilás, vermelho, marfim e preto.”

 

O ano de 1963 trouxe expressiva melhoria mecânica, já que o câmbio passou a apresentar as três marchas à frente sincronizadas (até então havia a conhecida primeira seca). No pára-lama dianteiro esquerdo foi introduzido um escudo com a referência “3 Sincros”.

 

1964/2ª série e 1965/1ª série – modelo Tufão

Noticiou a Revista Quatro Rodas de abril de 1964 as seguintes alterações:

 

- acessórios: quebra-sol mais leve, espelho retrovisor regulável para evitar os reflexos dos faróis inimigos, bolsas de plástico para documentos e mapas, carenagem para a saída de ar do interior;

 

- alavanca de mudanças: igual à do antigo Présidence;

 

- bancos: ambos, dianteiro e traseiro, são mais macios e de molejo mais suave. Os encostos têm contorno de divisão dos dois lugares, tanto à frente como atrás. As molas são laminadas;

 

- carroçaria: o teto e os painéis laterais foram modificados, possibilitando o aumento da área e a inclinação maior do pára-brisa e da janela traseira, bem como a modernização das linhas laterais;

 

- cores: novas cores de tecido de nylon, idem nos plásticos e couros, como para a pintura, metalizada em vários modelos. O material anti-ruído foi reforçado;

 

- embreagem: reforçada;

 

- estofamento: a guarnição do painel de instrumentos é estofada; a guarnição do porta-pacotes, forrada de feltro;

 

- grade do radiador: a nova grade apresenta duas molduras longitudinais paralelas, abrangendo toda a sua extensão. Novo escudo aparece na grade, com um “S” e a andorinha de sempre;

 

- lanterna: a lanterna traseira divide-se em três seções divididas por pequenos frisos de metal: a) superior, vermelha, servindo de luz de freio de lanterna: b) central, amarela, correspondente ao pisca-pisca e ao farol de marcha-à-ré; c) inferior, idêntica à superior. O olho de gato da lanterna antiga foi suprimido;

 

- limpador: o motor do limpador de pára-brisa teve sua potência aumentada em 10%, as palhetas do limpador são mais longas, aumentando a área de limpeza;

 

- motor: desenvolve 100 HP a 4.800 rpm, possuindo avanço manual graduado para altitude e combustível;

 

- painel: a graduação do velocímetro alcança 180 km/h. Foi adicionado ao painel um receptáculo para um maço de cigarros, no lado esquerdo;

 

- pára-choques: ostenta tipo diferente de protetores de borracha, mais reforçados, tanto à frente como atrás;

 

- portas: o pino da trava de segurança das portas dianteiras foi modificado, a fechadura, agora, só se destrava quando o pino receber um giro de 90 graus, antes de ser levantado;

 

- radiador: capacidade para 18,5 litros;

 

- vidros: o defletor foi modificado, permitindo maior abertura e melhor ventilação; sua abertura, superior a 90 graus, comporta uma canaleta para escoamento da água de chuva, possibilitando viajar, em tempo chuvoso, com defletor aberto.

 

Os vidros das portas traseiras adaptam-se à nova linha da carroçaria. O vidro traseiro é encaixado no painel e mais alto, facilitando a visibilidade através do retrovisor. E o pára-brisa é mais alto e mais inclinado;

 

- mais detalhes: o tanque tem capacidade para 85 litros; o escapamento é duplo, rodas de corrida e pneus cinturados opcionais.

 

Em toda linha haviam 28 combinações de cores. Pela primeira vez na indústria automobilística brasileira um carro de passeio foi apresentado com cores metálicas (eram 11 combinações).

 

1965/2ª série e 1966/1ª série – modelo Tufão

A fábrica introduziu cinco melhoramentos, a propaganda os enumerava: 

 

-ignição  transistorizada que permite desempenho uniforme até em alta rotação, durabilidade maior do distribuidor, platinados e velas;

- chave de ignição e trava do câmbio conjugadas;

- nova fechadura das portas silenciosa e macia (as maçanetas externas foram redesenhadas); 

- alças de apoio;

- painel estofado;

 

1966/2ª série e 1967 – modelo Emi-Sul

Com a denominação em clara referência ao primeiro motor V8 com câmara de combustão hemisférica fabricado no hemisfério sul, a linha Emi-Sul foi lançada em maio de 1966 como o resultado de um projeto que consumiu dois anos e meio de trabalho e um milhão de dólares.

 

A nível externo a modificação introduzida foi no vidro traseiro, que teve sua área aumentada.

 

Foram lançadas duas versões, com 130 e 140 HP. O eixo comando de válvulas foi transferido para o cabeçote, as câmaras d’água foram superdimensionadas. O carburador foi trocado, a embreagem reforçada. O antigo gerador foi substituído por um alternador de 10 ampéres.

 

O capô vinha com forração interna para evitar que o ruído do motor chegasse à cabine.

 

Segundo o teste feito pela Revista Quatro Rodas em maio de 1966, o pejorativo apelido “Belo Antônio” dos primeiro Chambord deu lugar à outra denominação: “um senhor carro”...